Terça-feira, Maio 22, 2007

Os parvos

Parece que está na moda fazer do zé povinho parvo..As situações começam a acumular-se e as pessoas chegaram aquele ponto em que já nem se esforçam para mudar o que quer que seja. Um exemplo simples..o petróleo sobe..e de imediato aumentam os preços dos combustíveis..mas se ele desce..os preços não podem baixar porque na realidade essa alteração só se fará sentir dentro de alguns meses..é curioso..ia jurar que se subirem também só se fariam sentir esses aumentos dentro de alguns meses..mas eu sou apenas mais um parvo..
Outra coisa que me deixa fascinado..sabiam que os preços dos carros vão baixar em Junho (ou será Julho?)? Fantástico não é? O bondoso governo decidiu que o imposto automóvel ia ser reduzido no acto da compra e que se passaria a pagar um valor fixo conforme o veículo em causa durante todos os anos que andarmos com o mesmo..contas feitas o dito veículo sai muito mais caro do que seria se fosse comprado agora..mas pronto..toda a gente anda a ser bombardeada com a publicidade que no verão os carros ficam mais baratos..então quem seria o "parvo" que iria comprar um carro agora??
Agora a minha favorita..porque me afecta directamente..o governo contratou 150 médicos dos países de leste..parece que a "escumalha" portuguesa é demasiado má..enfim..andam aí esses miúdos no 11º e 12º a suar que nem uns tristes para conseguirem entrar em medicina..e o governo para mostrar a fé que tem neles prefere contratar 150 médicos estrangeiros..afinal de contas esses tão de tal forma desesperados que estão dispostos a receber muito menos do que os portugueses pelo mesmo trabalho...o engraçado nisto tudo é que também preferem contratar médicos espanhois..o meu pai há tempos teve de se dirigir ao Serviço de Urgência e foi atendido por um espanhol..curioso não falava português..então não é que nós se quisermos trabalhar em espanha temos de fazer um teste bem complicadito de espanhol?? A vida consegue ser mesmo engraçada..não é verdade??
Eu só pedia..que em vez de fazerem de nós parvos..fossem honestos e tivessem a coragem de nos dizer na cara que estão-se nas tintas para se o povo português está mal ou bem..porque o que conta é o poder e o dinheiro! Enfim..nós os parvos..cá esperaremos por uma mudança milagrosa..

Quarta-feira, Maio 16, 2007

Tribunal de Praxe sem gasosa

Do Código de Praxe da Universidade de Coimbra,

LIVRO V, TITULO I, DOS JULGAMENTOS


Artigo 204º
Os julgamentos são actos solenes realizados nas Repúblicas oficializadas ou nas casas comunitárias reconhecidas pelo Conselho de Veteranos, por tribunal com a constituição, finalidade e ambiente que resulta dos artigos seguintes.

Artigo 206º
A sala onde se realiza o julgamento deve preencher os requisitos seguintes:

• Estar privada de luz natural;
• Ser iluminada por uma vela que tenha por castiçal uma caveira,
• Ter duas mesas, sendo uma delas destinada ao Júri e outra, colocada à direita desta, destinada ao Promotor de Justiça;
• Ter as mesas cobertas com capas,
• Ter livros diversos sobre as mesas, os quais constituirão os códigos;
• Ter as insígnias da PRAXE bem assim como as pastas dos fitados que constituem o Júri na mesa a este destinada;
• Ter as pastas com as fitas para fora;
• Ter na mesa do Promotor de Justiça a respectiva pasta com o grelo;
• Ter, como banco dos réus, um penico cheio de água.

Artigo 207º
O Júri será constituído por três quintanistas fitados representando, pelo menos, duas Faculdades.
Ocupará a presidência da mesa, o fitado da faculdade hierarquicamente superior.

Artigo 214º
Aberta a sessão e tendo feito comparecer o réu ou réus, o Juiz dará a palavra ao Promotor Público que fará a acusação.
Esta poderá ser feita simultaneamente contra um ou todos os réus, consoante a natureza e unidade dos delitos praticados ou de acordo com o que melhor entender o Promotor.
Terminada à acusação, o Juiz ordenará ao oficial de diligências que faça comparecer o advogado ou advogados de defesa, a quem de seguida será concedido o uso do relincho.
§ único - Só os caloiros podem ser advogados de defesa.

Artigo 216º
Feita a deliberação entre os membros do Júri, o Juiz reabrirá a audiência dizendo:
IN NOMEN SOLENISSIMA PRAXIS AUDIENTIA REABERTA EST e, após breve intervalo, acrescentará:
IN NOMEN SOLENISSIMA PRAXIS JUDICES DELIBERARANT Seguindo-se a leitura das sentenças após a identificação de cada um dos réus.
§ único - As sentenças não são passiveis de recurso mas os réus podem apelar para o Conselho de Veteranos no sentido deste aplicar sanções ao tribunal se este tiver cometido graves infracções à PRAXE (cf art. 199º).

Artigo 220º
O não comparecimento dum réu não impossibilita o tribunal de tomar conhecimento das acusações que sobre ele pesem e proferir a respectiva sentença.
Salvo o preceituado no artigo seguinte, estas poderão, depois, ser executadas a todo o tempo e a qualquer hora.

E agora a sério,

A notícia sobre a agressão de caloiros na UC ("o quê!? não sei de nada...", "podes lê-la aqui") não podia passar sem a opinião do SG, ou pelo menos, a minha opinião.
Um Tribunal de Praxe só é constituído, ou só o deveria ser, quando existem ofensas ao Código. Frequentando a FMUC, sei quais foram as razões pelas quais os caloiros foram constituídos réus e posso afirmar que não são válidas. Mal chegam para uma gargalhada. Mas eram tão idiotas que chegaram para os caloiros pensarem que iam para lá na «expectativa de passarem por mais um ritual "entre amigos e que serve para cimentar o companheirismo"». Tal não aconteceu e o comportamento descarrilou até provocar lesões na cabeça e no escroto (!) de caloiros. A notícia está exagerada e por isso por lesões entendam-se pequenos cortes. Não houve tesouras espetadas em crânio algum e nenhum testículo viu a luz do dia. Foram de facto actos lamentáveis, de muito mau gosto e levados a cabo por gente com complexos de inferioridade. Deveriam ser punidos na minha opinião, mas dentro da Academia. No entanto, se os caloiros lesados acharem por bem levar o caso a instâncias superiores, estão no seu pleno direito e talvez se evitem mais acontecimentos semelhantes no futuro.

Aviso aos caloiros: Apesar da pressão psicológica, se alguém vos pedir para tirarem as calças, não o façam. Se estiverem numa sala escura e esse 'alguém' forem homens com tesouras e colheres de pau, não o façam e fujam de lá para fora.

O mal disto (exceptuando as lesões corporais) vai ser mais uma vez a polémica sobre a praxe e se deve ou não ser proibida e todas essas coisas que os jornalistas portugueses são obrigados a comentar. A praxe tem regras rígidas que devem ser respeitadas. Em situação alguma o Código da Praxe ultrapassa a Lei portuguesa. A comunicação social faz o possível para o resto do País não compreender isso mesmo e as reportagens que com certeza serão transmitidas utilizarão imagens de arquivo de estudantes trajados e de Super Bock numa qualquer celebração académica. E isso irrita-me.

dura praxis, sed praxis

P.S.: sim, eu sei que se passam coisas mais importantes no País, como a candidatura de António Costa à Câmara Municipal de Lisboa. Eu sei. Sei também que isso não tem metade da piada disto.

Quarta-feira, Maio 09, 2007

Queima das fitas sem gasosa

Estamos a meio da queima em Coimbra e eu já decidi que não torno a ir ao parque. Reconheço que não deve ser fácil organizar uma queima na cidade dos estudantes mas também era escusado transformar a maioria dos concertos em repetições do ano anterior ou em músicas de festa de aldeia (pergunto-me se chegará o dia em que Emanuel irá tocar à queima..). Pessoalmente achava preferível que troxessem menos gente e que fossem de facto bons grupos..se bem que vejo na maioria dos estudantes um gozo enorme pela música pavorosa que se toca..a do meter o pópó no teu pipi a dos patinhos fez-me ver que tinhamos batido no fundo. Neste aspecto não se pode fazer grandes exigências pois faço parto da minoria. Agora em termos de organização aí já tenho de fazer alguns reparos. Primeiro a entrada sem que a maioria das pessoas fossem revistadas..podia-se entrar armado se se quisesse mas se a data do cartão de estudante não estivesse actualizada eramos corridos de lá para fora. Depois é incrível como há poucas barracas e fazem uma pessoa passar largos minutos para conseguir comprar senhas e depois outros largos minutos para conseguir uma bebida. As raparigas para irem à casa de banho tinham de passar por maus momentos em filas ainda bem grandes.."felizmente" os rapazes fizeram de tudo o que era um canto obscuro um local ideal para urinar. As casas de banho eram claramente insuficientes. Locais para se sentar não havia..o chão era a única alternativa. Basicamente o recinto já é pequeno para a procura que ha´..se bem que a continuar assim..a procura há-de reduzir. Enfim..admito que gosto muito de ser estudante em Coimbra e que lamento muito não poder dizer que a queima em Coimbra é a melhor do país..mas tenho esperanças que volte a ser. Os caloiros ainda vivem a queima como um conto de fadas mas para quem já não é a primeira queima sabe que as coisas não estão lá muito bem para os lados do mondego.