Domingo, Julho 29, 2007

História da minha vida

Agora que a idade já começa a fazer-se sentir, começo a lembrar-me de situções tão interessantes que ocorreram na minha vida. Fala-se muito do clima de medo..do perigo de sofrermos represálias caso opinemos de modo contrário ao poder..enfim..coisas que são verdade mas que de modo algum são um fenómeno novo.
Quando andava no meu oitavo (ou seria nono?) ano o ministro (sim..sou louco o suficiente para escrever esta palavra em minusculas) da educação da altura (cujo o nome não me recordo, mas que estou certo que lhe arranjaram entretanto um cargo num sítio qualquer ou então que está no parlamento) do governo de António Guterres dirigiu-se ao meu liceu para ser confrontado com as questões dos estudantes. Andavamos algo agitados pois falava-se já nas aulas de 90 minutos entre outros disparates que não eram do nosso agrado, e o governo já não era lá muito popular. A minha turma foi seleccionada para fazer algumas perguntas ao excelentíssimo..ora escolhemos os nossos representantes e desde logo surgiu um problema..um deles não podia ser..a razão fez os meus olhos brilharem de orgulho..pelos vistos o rapaz era demasiado "rebelde" e tinham medo da forma como ele se iria dirigir ao senhor ministro. Pronto..não tivemos outro remédio senão ceder e escolher outra pessoa. Juntamo-nos todos num dia e fizemos umas perguntas nas quais confrontavamos o senhor ministro com os problemas que havia no ramo da educação e com a inercia que o seu ministério demonstrava face a eles..Chegamos à aula que antecedia a chegada do rei da educação e mostramos as perguntas à professora. A seguir aconteceu uma cena muito curiosa..o Conselho Executivo..tinha as perguntas que o senhor ministro queria que lhe fizessem..e nós tinhamos de fazer essas perguntas e esquecer as que tinhamos criado...e lá fomos nós..os fantoches lá do sítio..fazer perguntas ao rei..e ele lá respondeu todo contente como se fosse o mais competente de todos os homens às "nossas" perguntas...quando na verdade so estava a mexer os fios ligados aos nosso braços e pernas.
Achei que era uma história interessante de contar no SG..e leva-me a dizer..há coisas que nunca mudam..e o desgraçado do Zé Povinho é que sabe o que diz.."Eles querem é poleiro".

Segunda-feira, Julho 16, 2007

Os socialistas e as autárquicas

Os lisboetas foram ontem às urnas. Foram poucos, não chegaram a ser metade dos eleitores, mas elegeram António Costa, que concorria pelo Partido Socialista, para a presidência da Câmara de Lisboa. Também fizeram a proeza de atribuir o segundo lugar a Carmona Rodrigues, o presidente que cessava funções. Parece-me então que Lisboa e os alfacinhas gostam de ser roubados mas só se receberem canetas e aventais de plástico, e neste aspecto não ficam nada atrás de Felgueiras ou Marco de Canaveses. Para além do resultado de Carmona Rodrigues, o que mais me divertiu nestas eleições foi a entrevista ao líder do partido fascista PNR.
O seu plano passava (e começava e terminava) por "acabar com os fluxos de imigração nacionais para acabar com o crime". Para além da sua ambição desmesurada, foi também interessante comprovar a sua ignorância quando a jornalista lhe perguntou em que estudos é que ele se baseava para essa relação e ele respondeu "Já deve ter notado que o crime aumentou e os emigrantes também". Antes de lhe perguntar sobre os estudos seria interessante confrontá-lo com o facto de ele estar a concorrer para uma autarquia e mesmo que conseguisse ser Presidente (pois...quando eu for Papa) nunca conseguiria acabar com a imigração.
Mais absurdo que tudo isto foram os apoiantes do PS no fim de saberem os resultados. Um camião saiu à rua em Lisboa com António Costa no cimo a discursar, naturalmente todo feliz, e pessoal na rua abanava umas bandeirolas. Mas pessoal a mais para o que seria de esperar de lisboetas, num domingo à noite e numas eleições autárquicas. A parte que me divertiu é que não eram lisboetas! Nas entrevistas que vi aos apoiantes, um homem da Covilhã tinho ido até Lisboa para dar uma força ao seu 'amigo' António Costa. Um grupo de velhinhos de Alandroal (perto de Évora!), também lá estava, mas não sabiam porquê nem sobre o que era aquilo. Uma delas disse "Vim porque vim, não se preocupe com isso". A explicação é que fizeram uma excursão a Mafra e quando voltavam a casa foram até lá (sem eles saberem que iam para lá, já que não estava planeado) e deram-lhes bandeiras para as mãos. E eles lá ficaram. Mas "não contrariados", como um dos excursionistas fez questão de sublinhar. Nunca tinha visto desviar autocarros para angariar apoiantes...o socialismo já teve melhores dias.