Sexta-feira, Setembro 28, 2007

Praxe

Ora ai está um novo ano lectivo nas belas universidades portuguesas! Entre os caloiros há de tudo um pouco..os que se divertem imenso com as praxes e no polo oposto os que até se lhes disserem para cantar ficam chateados. Cabe aos "doutores" tornarem a sua adaptação mais fácil e agradável. Mas se entre os caloiros há de tudo..entre os "doutores" também há de tudo. Vejo os que fazem da praxe um momento de boa disposição em que permitem aos caloiros divertirem-se, vejo aqueles que levam a praxe mais a sério puxando um pouco mais pelos caloiros mas sem nunca abusar e vejo infelizmente os que usam a praxe para se sentirem superiores e chatearem o juízo aos caloiros. O que fazer em relação a estes casos? Caberá aos caloiros enfrentarem tais "doutores" sem consciência ou são os outros "doutores" que têm o dever de os chamar a atenção? Creio que se todos contribuirmos para que os abusos não ocorram, a angustia de alguns caloiros nos primeiros tempos desaparecerá e com ela a praxe tornar-se-á melhor compreendida nos meios onde é mal vista.
Diverti-me muito no meu tempo de caloiro e espero que todos os caloiros actuais possam daqui a um ano dizer o mesmo. Espero que tal seja possível. Um optimo ano a todos os universitários deste país.

Quinta-feira, Setembro 27, 2007

Combate à pirataria

Diz não à pirataria, não roubes navios!

A pirataria informática levou uns abanões valentes nos últimos tempos. Apesar de não ter sido divulgado pelos meios de comunicação portugueses, neste verão as autoridades alemãs encerraram 16 servidores, entre os quais os 'famosos' DonkeyServer, devido às queixas da indústria musical daquele país. Algum tempo depois foi a vez das portuguesas, que agiram e encerraram o Btuga.pt e tudo o que se relacionava com este fórum de troca de ficheiros ilegais. O fórum da Mula da Cooperativa fechou portas voluntariamente por receio que também apanhasse por tabela. De recordar uma tentativa de erguer servidores 100% nacionais, o [Max-Pt] Sado e o [Max-Pt] Tejo, que não duraram muito tempo. Sou contra a pirataria de programas informáticos porque acredito que é possível desenvolvê-los e disponibilizá-los de forma gratuita ou pelo menos, mais acessível. Se tivermos dois ou três produtos da Adobe, podemos gastar uns bons 350€ só em updates e num espaço de um ano. Quanto aos filmes e músicas, creio que a taxa de cópias ilegais poderia ser reduzida se as indústrias do ramo adoptassem certas medidas. Entre elas:

- loja online de música

comparável ao iTunes, se quiserem. Há alguns anos, muito antes de iTunes, li numa revista portuguesa uma entrevista a Rui da Silva, apresentado como um dos melhores DJs do mundo. No fim do artigo eram indicados os sites do DJ e da editora. Quando os consultei fiquei fascinado com a possibilidade de comprar músicas dele por apenas dois dólares! Note-se que Rui estava emigrado e fazia sucesso nos EUA. Porque não fazer algo assim em Portugal!? Acredito que haveria muito menos downloads de músicas se as editoras se unissem e colocassem online as suas músicas para venda. Em vez de comprarmos álbuns por 25€, comprávamos faixas individuais por 1,5€. E os singles a 2€! Os álbuns ficavam reservados para os coleccionadores e poderiam ter incluídos extras. A exemplo, the Sound of Fashion inclui 12 imagens de moda, cada uma delas com um calendário de um mês e AM-FM, dos The Gift oferecia um DVD extra. A baixa na venda de música está a ocorrer a nível mundial, daí este ano o número de concertos e tournées ter batido recordes, com as bandas a tentarem ganhar mais dinheiro e promoverem os seus álbuns. Mexam-se discográficas!

-baixem os preços ridículos dos DVDs
se fizerem como eu e tentarem ir pelo caminho legal vão ficar muito decepcionados. Sou grande fã da série E.R. (Serviço de Urgência) e por isso queria ter os DVDs...então foi consultar preços. Na Fnac Portugal compro (ou comprava se fosse doido!) isso por 41,90€ mas na Amazon EUA só gasto $17.99 (12.72€). Ou seja, com o mesmo dinheiro, nos EUA compro as três primeiras temporadas e ainda fico com dinheiro para uns baldes de pipocas e aqui só posso comprar a primeira temporada.

-let's look at the trailer
aprendam a fazer trailers. Todo o cinema que é feito em Portugal tem sempre um trailer deprimente e decadente que simplesmente não nos faz ir até ao cinema. A única excepção foi O Crime do Padre Amaro mas esse era uma produção SIC...
Todos os outros nem sequer nos conseguem convencer a ver o próprio trailer até ao fim. Coisa Ruim que é um bom filme tem um mau trailer. E China, China não sei como é mas podem apostar que também não vou até ao cinema para verificar. Desculpem.

-pormenores com importância
porque é que quando se mete um CD de música, a primeira opção da irritante janela 'o que deseja fazer?' é 'copiar música deste álbum' e só em segundo é que vem 'ouvir música deste álbum'. Depois queixem-se.


O post está grande e por isso não me apeteceu ver se tem erros. Se tiver, é favor apontá-los. Obrigado.

Sábado, Setembro 22, 2007

Jornalismo SemGasosa

A mensagem anterior garantia que neste blog não se plagia e ironicamente somos plagiados. Nós, que opinamos sobre tudo sem ter a mínima formação para o fazer, vemos o nosso método de trabalhado usurpado por jornalistas e pessoas que se dizem sérias. Estou a falar do circo no qual se transformou a informação televisiva em Portugal.
Até há bem pouco tempo, os jornais televisivos que passavam à hora de almoço e do jantar não duravam mais de 30 minutos e não tinham intervalos. Portanto, as notícias interessavam e não se repetiam. Agora os do almoço duram uma horinha e os do jantar ultrapassam a hora e meia. Existem canais dedicados exclusivamente à informação, já para não falar nos milhentos jornais que se podem consultar pela internet. Será que existe também a necessidade de ter nos canais generalistas tanto tempo dedicado à informação? Informação essa que é de baixíssima qualidade e se repete por dias e dias. E a mania dos directos!?
Quando a família McCann chegou a Inglaterra, foram 'escoltados' até casa por helicópteros de uma qualquer cadeia televisiva. Para quê? Para ser possível ligar a televisão e só ver imagens de um carro a andar na estrada em directo.
Mourinho saiu do Chelsea. Repórteres foram para Londres. A notícia ocupou a primeira parte dos telejornais e incluiu várias ligações em directo aos jornalistas que estavam em Chelsea que foram até lá e obviamente não falaram com Mourinho. O melhor que conseguiram obter foram gritos de adeptos bebâdos a pedir para José voltar. A notícia seguinte foi a opinião de Marcelo Rebelo de Sousa, carinhosamente tratado por professor e elevado ao estatuto de um deus, que já agora crê que Mourinho saiu na melhor altura.
Outra tendência da comunicação social é entrevistarem-se uns aos outros. No caso McCann, os jornalistas portugueses perguntaram aos jornalistas de outros países a sua opinião. O mesmo se passou na saída de Mourinho.
A excepção que confirma a regra continua a ser o Jornal 2:, que continua a ocupar 30 minutos, no final têm sempre a opinião de alguém que pelo menos tem alguma formação na área discutida e que ainda têm o bónus da agenda cultural.

Deixo aqui um facto desconhecido para muitos: Portugal ocupa o 10º mundial em liberdade de imprensa, segundo a Reporters Without Borders, uma instituição não-governamental e não-lucrativa que luta por uma imprensa livre. Só é pena que não seja aproveitada. E como tudo isto são modas, vou esperar ansiosamente que passem. Entretanto, as 'latest headlines' da BBC continuam na minha barra de favoritos.

P.S.- Enquanto estava a escrever isto tudo, lembrei-me de um vídeo e penso que se adapta perfeitamente:


P.P.S.- Esta é a 100ª mensagem do SemGasosa. Parabéns para nós!